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Recrutando e Retendo os Melhores Funcionários

ANÁLISE DA OBRA “RECRUTANDO E RETENDO OS MELHORES FUNCIONÁRIOS”

DUBINSKY, Alan J.; SKINNER, Steven J. Recrutando e Retendo os Melhores Funcionários. 1ª edição. São Paulo: Cengage Learning, 2010.

Para DUBINSKY e SKINNER, em uma época de acirrada concorrência, funcionários que excedem as especificações do cargo, empenhando um esforço maior que o esperado, auxiliam a empresa a ocupar um lugar de destaque no mercado. A obra foi escrita com a finalidade de inspirar funcionários e fornecer ferramentas gerenciais para gestores que desejam obter o máximo de suas equipes.

Tomou como base o depoimento de aproximadamente duzentos funcionários de diversas organizações e funções, acerca de como excederam as especificações de seus cargos e os motivos pelos quais o fizeram. Os depoimentos foram organizados e classificados de acordo com os treze fatores motivacionais identificados, que explicam o comportamento desses funcionários. São:

  1. Motivação interna;
  2. Iniciativa;
  3. Criação (educação familiar);
  4. Autossatisfação;
  5. Empatia;
  6. Preocupação;
  7. Reciprocidade;
  8. Retenção do cliente e promoção de novos negócios;
  9. Satisfação do cliente;
  10.  Inversão de papéis e cultura organizacional;
  11. Reconhecimento;
  12. Promoção;
  13. Remuneração.

Treze dos quinze capítulos que compõe o livro se iniciam com exemplos de situações vividas por funcionários que transcenderam suas obrigações, levando em consideração um dos treze aspectos motivacionais identificados. Posteriormente aos exemplos, o autor cita meios de recrutar, administrar e reter os funcionários munidos desse aspecto motivacional em específico.

O último capítulo apresenta um quadro resumo, das ferramentas gerenciais indicadas durante a leitura, apenas subdividindo: a) “administrar” em: treinamento, criação do cargo e interação com a gerência; b) “reter” em: políticas organizacionais e filosofia / indução.

Durante a leitura alguns exemplos chamaram a atenção, positiva ou negativamente, assim como alguns dos fatores motivacionais identificados pelo livro.

No capítulo que trata da autossatisfação, é impressionante como Sara resolve o problema de urgência na pintura do escritório, reunindo alguns de seus colegas num trabalho de equipe, em prol da empresa, durante o final de semana. A respeito do esforço extra, Sara expressa: “Resolvi ir adiante e fazer o trabalho por minha conta, porque era importante que nosso trabalho estivesse bem apresentado” (pág. 25).

Já no capítulo sobre cultura organizacional, é humana a forma como Lupe excede sua função, permitindo que um cliente faça um saque para pagar a fiança do filho que foi preso. Independente do motivo pelo qual o rapaz foi preso, aquele pai merecia, naquele momento, um tratamento mais humanitário, devido à situação pela qual estava passando, que certamente lhe causara maior sensibilidade. Lupe justifica sua ação na cultura organizacional da empresa: “Acreditamos que aqui você não é um cliente, mas um membro, um associado, e a diretoria faz questão disto” (pág. 51).

Nem todas as culturas organizacionais, no entanto, diferente do exemplo da empresa de Lupe, estão dispostas a atender o cliente com diferenciação. No serviço público, por exemplo, privilegiar o atendimento a uma pessoa, sem justificativa, fere o princípio administrativo da Impessoalidade, que versa:

“A Administração deve manter-se numa posição de neutralidade em relação aos administrados, ficando proibida de estabelecer discriminações gratuitas. Só pode fazer discriminações que se justifiquem em razão do interesse coletivo, pois as gratuitas caracterizam abuso de poder e desvio de finalidade, que são espécies do gênero ilegalidade (PORTAL WEBJUR).”

Um dos exemplos vistos de forma negativa pela equipe diz respeito ao exposto no capítulo sobre Iniciativa, no qual a funcionária de banco, Lindsay, transporta em seu próprio carro milhares de dólares em dinheiro até outra agência bancária, que tivera problemas com a programação da abertura do cofre (pág. 12). No ímpeto de ajudar àquela agência a atender os clientes, Lindsay acabou agindo de forma irresponsável e inconsequente, ao transportar tamanha quantia sem qualquer segurança. O livro menciona que essa funcionária agiu como heroína, o que discordamos, pois sua atitude poderia ter trazido muitos problemas ao banco. Perguntamo-nos se, caso ela tivesse sido assaltada, ainda seria vista como uma funcionária requisitada por suas atitudes.

A forma correta de fazer transporte de quantias monetárias é através de carros fortes ou escolta armada, que dispõe de funcionários treinados e capacitados para agir em caso de contingência.

Outro exemplo encarado como negativo é o de Keith (pág. 53), que mesmo sem os equipamentos de segurança necessários, arriscou-se na limpeza de um tanque de combustível no subsolo de um posto gasolina. Lembramos que, pelo menos no Brasil, há leis de Saúde e Segurança no Trabalho que devem ser seguidas e que se não são cumpridas geram riscos à saúde do trabalhador e sansões à empresa. Resumindo, foi outra atitude irresponsável, na qual a funcionária arriscou-se, em prol de ser “reconhecida”.

Além do exposto, a obra está repleta de exemplos de funcionários que se sacrificam numa jornada exaustiva, dirigem cansados, não possuem descanso semanal e em nenhum momento se falou de hora-extra, o que enxergamos como errado e contraditório a tudo o que aprendemos durante o curso. Somos a favor de transcender na função e admiramos funcionários que agem dessa forma, mas com segurança, respeito às leis trabalhistas, à saúde desses trabalhadores e, acima de tudo, à preservação do indivíduo como ser humano, ser biopsicossocial.

Os dois aspectos motivacionais que mais se destacaram foram: Motivação interna e Criação (educação familiar). Muitas das situações descritas possuem funcionários dotados de crenças como: responsabilidade, compaixão, empatia, dedicação ao trabalho, valores e princípios, as quais acreditamos estar estritamente relacionadas à criação do indivíduo. As ações, todas, também demonstram que os funcionários estão motivados, condição psicológica que vem de dentro para fora, mas que pode ser estimulada por gestores, a partir do conhecimento das necessidades dos indivíduos, variáveis.

Sobre a estrutura do livro, os autores mencionam como meios de recrutar indivíduos: aplicação de testes psicológicos, perguntas ao candidato, entrevistas, seleção de indivíduos. Porém, segundo a conceituação de recrutamento e de seleção, e das atividades que, segundo (BOHLANDER e SNELL, 2010) fazem parte do processo de seleção: “preenchimento de formulários de solicitação de emprego, entrevistas, testes, exames médicos e pesquisas sobre a sua formação”, concluímos que ao invés do termo “recrutamento”, deveria ter sido utilizado o termo “seleção”.

“Em conjunto com o processo de recrutamento, que se destina a ampliar o número de candidatos cujas qualificações atendam a requisitos do cargo e às necessidades da organização, a seleção é o processo de redução desse número por meio da escolha entre indivíduos com qualificações relevantes” (BOHLANDER e SNELL, 2010).

Não recomendamos a leitura do livro. Funcionários podem ser influenciados por alguns maus exemplos, como foi o caso das duas funcionárias citadas que se puseram em risco, enquanto que gestores se deparariam com o mau uso de termos técnicos, acerca da área de Recursos Humanos.

Alan J. Dubinsky é especialista da área de vendas e possui considerável produção científica sobre vendas e marketing. Já Steven J. Skinner é professor universitário de disciplinas de marketing e economia, também com considerável produção científica sobre vendas e marketing.

Resenha feita por acadêmicas do Curso Tecnológico de Gestão de Recursos Humanos, da Pontifícia Universidade Católica do Paraná.

CURITIBA, 2012

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

BOHLANDER, George; SNELL, Scott. Administração de Recursos Humanos. Tradução da 14ª edição norte-americana. São Paulo: Cengage Learning, 2010.

WEBJUR: INFORMADOR JURÍDICO. Princípios da Administração Pública. Disponível em <http://www.webjur.com.br/doutrina/Direito_Administrativo/Princ_pios_da_Administra__o_P_blica.htm>. Acesso em 18 de novembro de 2012.

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