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O que é religião – Rubem Alves

O livro “O que é religião”, escrito por Rubem Alves, divide-se em nove capítulos e propõe uma reflexão a cerca do sentido da religião, tanto para o ser humano, quanto para a sociedade. Rubem Alves nasceu em 1933, na cidade de Boa Esperança, em Minas Gerais. É psicanalista, educador, teólogo e escritor brasileiro.

A obra em questão, ao tratar de seu assunto principal, foi enriquecida com o pensamento de outros estudiosos, acrescentando cultura à leitura. A obra propõe como reflexões principais:

1)    O ser humano, os animais e os símbolos:

Os seres humanos diferenciam-se dos animais por não se limitarem a existir, como um simples corpo, sendo, além de corpo, ser racional, de pensamento e, sobretudo, de desejo. Rubem Alves compreende desejo como o sintoma de privação da ausência. O ser humano, ao se deparar com a ausência, deseja, e com isso imagina, criando assim seus símbolos. A religião teria nascido da rede de desejos, da tentativa de transubstanciar a natureza.

Sobre esse capítulo, a leitura completa da obra permitiu um maior entendimento. O ser humano, ao não ter respostas para o sentido da vida, para a morte, para sua origem, criou símbolos que pudessem lhe explicar esses fenômenos.

2)    A religião em tempos passados e atuais:

A obra traça um paralelo sobre a experiência religiosa nos tempos passados e nos tempos atuais.

Como ilustração desse paralelo, o autor se refere ao período da Idade Média, no qual se vivia a religiosidade cotidianamente, o que passou a mudar a partir da inserção do pensamento utilitarista. Esse pensamento buscava a utilidade das coisas, principalmente utilidade comercial, visando o lucro. A partir dele a ciência passou a progredir, com o método científico, e a religiosidade passou a ser cada vez mais vista como inútil.

Apesar de sua presença não tão frequente, a religião está, segundo o autor, mais viva do que nunca. Os deuses ganharam novos nomes e novos rótulos, mas mesmo assim ainda expressam os mesmos problemas individuais e sociais em torno dos quais a religião foi estruturada.

A partir da leitura pude compreender algumas nuances a cerca da religião sobre as quais não havia pensado. Acredito que o livro defenda a religião, principalmente por seu final, mas não deixou de ser uma leitura objetiva, uma análise fria do assunto. Concordo que a religião acalma o espírito e creio que se a experiência religiosa fosse mais presente na vida das pessoas, o mundo seria melhor.

3)    Marx versus Durkheim

Ambos os pensadores analisaram a religião sob o ponto de vista sociológico.

Durkheim propunha que a religião não pode ser negada, pois é um fato. Ao explorar a religião, ele investigava as condições para a existência da vida social, aliás, a religião era o centro da sociedade.

Marx, por sua vez, fez uma colocação que ficou famosa “a religião é o ópio do povo”. Na sua época, na qual a sociedade se dividia entre capitalistas e proletariados, a religião aparecia para iluminar com ilusões que consolam os fracos e legitimações que consolidam os fortes. Acreditar que as situações “eram vontade de Deus” confortava as duas classes, cada qual por suas razões. Marx propunha que a religião era resultado da alienação e que aquela acabaria em decorrência desta.

De certo, creio que a religião sempre é recurso para quem nada mais tem a se agarrar. Ela é capaz de confortar o indivíduo nos seus problemas, se utilizando de uma esperança pelo que ainda está por vir, nem que seja após a morte.

4)    Feuërbach versus Freud

Ambos concordam que a religião é fruto do desejo humano.

Ludwig Feuërbach disse ser a religião apenas um sonho. Por isso mesmo seria a verdade do coração humano, a essência dos homens, que não podem revelar seus desejos porque estão “controlados” pela sociedade, que prega a ordem.

Freud, por sua vez, afirmou ser no inconsciente que a religião nasce, como mensagem do desejo. No entanto, Freud diz que esses desejos devem ser reprimidos.

De uma forma diferenciada que a exposição de Marx e Durkheim, novamente a religião aparece como sendo aquilo que conforta o homem. Antes ligado com a situação social, mais externo, porém aqui de forma mais subjetiva, interna ao ser.

5)    Religião versus método científico

Acredito que tenha sido neste trecho da obra que o autor esclarece que o método científico não substituirá a religião. Foi o que compreendi a partir do excerto:

“A ciência nos coloca num mundo glacial e mecânico, matematicamente preciso e tecnicamente manipulável, mas vazio de significações humanas e indiferente ao nosso amor. Bem dizia Max Weber que a dura lição que aprendemos da ciência é que o sentido da vida não pode ser encontrado ao fim da análise científica, por mais completa que seja.”

De fato, para as questões da alma, a ciência responde muito pouco, ou muito mal.

6)    O sentido da vida e a morte

Ao final do livro, Rubem Alves versa sobre o sentido da vida, alegando que é um sentimento.

Belas são as palavras de Romain Rolland, expostas pelo autor, sobre o tema: “sensação inefável de eternidade e infinitude, de comunhão com algo que nos transcende, envolve e embala, como se fosse um útero materno de dimensões cósmicas.”

De fato, o maior empecilho para se compreender o sentido da vida é a morte. Como não sabemos o que há além dela, quando não cremos em uma religião que proponha vida além dela, o simples existir terreno não faria muito sentido, a menos que se pudesse deixar um belo legado para a humanidade.

Como considerações finais tenho a dizer que o livro é muito bem escrito, me acrescentou muito como indivíduo, mas por conter pensamentos novos, ao menos para mim, acredito que ele deva ser lido mais de uma vez para uma melhor compreensão, o que não foi possível nesse momento.

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